INFORMA:
Os livros cartonados são destinados preferencialmente ao público infantil de até 5 anos de idade, considerando suas características e finalidade.
Agradecemos a compreensão e a colaboração de todos.
INFORMA:
Os livros cartonados são destinados preferencialmente ao público infantil de até 5 anos de idade, considerando suas características e finalidade.
Agradecemos a compreensão e a colaboração de todos.
Foi uma daquelas decisões que transformam completamente nossas expectativas.
Logo nas primeiras páginas, Coben conquistou meu interesse com uma narrativa ágil, personagens cativantes e um equilíbrio surpreendente entre suspense, humor e emoção. A leitura foi tão envolvente que terminei o livro em pouquíssimo tempo e, sem qualquer hesitação, ele conquistou um lugar entre os meus favoritos.
Às vezes, basta um único livro para nos apresentar um autor que permanecerá conosco por muito tempo.
E você? Qual foi o livro que leu por insistência de alguém e que, no fim, acabou se tornando um dos seus favoritos?
Contribuição: https://www.instagram.com/p/DbZETq_lGmI/?igsh=Z3c0a2tkc2Z4d2J0
Ao fundir, de forma deliberada, elementos da paisagem nordestina e do Cerrado, enquanto evita situar a narrativa em um tempo histórico rigorosamente definido, Rachel de Queiroz transcende os limites do romance histórico tradicional. Ecos do Brasil Imperial convivem com um sertão quase lendário, marcado pelo isolamento, pela ausência da lei e pela sobrevivência dos mais fortes. Dessa escolha nasce uma narrativa que poderia pertencer ao passado, mas que dialoga com qualquer época.
A construção desse universo também se apoia na linguagem. O vocabulário, seco, áspero e profundamente enraizado na oralidade regional, não funciona apenas como recurso estilístico: ele confere autenticidade à narrativa e transforma a própria fala em extensão da paisagem. Em Memorial de Maria Moura, o território não é desenhado apenas pelos caminhos, serras e chapadas, mas também pela dureza das palavras, pelos silêncios e pela cadência da voz de seu povo.
Mais do que narrar a ascensão de uma personagem inesquecível, Rachel de Queiroz constrói uma reflexão poderosa sobre poder, liberdade, liderança e resistência. O resultado é um romance de extraordinária força estética, cuja grandeza permanece intacta décadas após sua publicação.
Contribuição: https://www.instagram.com/p/DaiQpnTkdoQ/?igsh=MWNjdWhucm03bzA1eA%3D%3D
Rachel de Queiroz, a nossa Jane Austen:
Tanto Jane Austen quanto Rachel de Queiroz criam mulheres inteligentes, independentes e pouco dispostas a aceitar passivamente as convenções sociais. Personagens como Elizabeth Bennet ou Anne Elliot encontram paralelo, cada uma à sua maneira, em Maria Moura, Conceição e Dôra.
As duas escritoras observam com olhar crítico as regras impostas às mulheres. Austen examina a sociedade rural inglesa, em que casamento, herança e posição social determinam o destino feminino. Rachel de Queiroz desloca essa discussão para o sertão brasileiro, abordando patriarcado, poder, propriedade, violência e sobrevivência.
Ambas evitam heroínas idealizadas. Suas personagens têm virtudes, dúvidas, contradições e amadurecem ao longo da narrativa.
Em vez de privilegiar grandes acontecimentos históricos, as duas utilizam os conflitos cotidianos para revelar o funcionamento de suas respectivas sociedades.
Entretanto, as diferenças literárias entre suas obras são profundamente grandes, as quais devemos considerar:
| Rachel de Queiroz | Jane Austen |
|---|---|
| Sertão e interior do Brasil. | Campo e pequenas cidades da Inglaterra georgiana e regencial. |
| Violência, seca, disputas por terra e sobrevivência. | Etiqueta social, casamentos, heranças e relações familiares. |
| Linguagem regional, seca e direta. | Prosa elegante, refinada e marcada pela ironia. |
| Influência do regionalismo e do modernismo brasileiro. | Romance de costumes e realismo social inglês do início do século XIX. |
| Conflitos frequentemente físicos e políticos. | Conflitos predominantemente morais, sociais e afetivos. |
Ambas escrevem sobre poder. Em Jane Austen, o poder costuma decorrer da posição social, da renda e do casamento. Em Rachel de Queiroz, ele nasce da posse da terra, da liderança, da coragem e, muitas vezes, da força física. Maria Moura, conquista um espaço que, em sua época, era reservado aos homens; Elizabeth Bennet conquista autonomia intelectual e moral em uma sociedade igualmente patriarcal, embora muito menos violenta.
Em síntese, Rachel de Queiroz e Jane Austen não pertencem à mesma tradição literária, mas compartilham uma característica fundamental: ambas utilizaram protagonistas femininas extraordinárias para questionar as estruturas sociais de seu tempo. Austen o faz com ironia sutil e refinamento psicológico; Rachel de Queiroz, com vigor regional, dramaticidade e uma linguagem profundamente ligada à realidade brasileira. É justamente essa capacidade de transformar mulheres em protagonistas de seu próprio destino que aproxima duas escritoras separadas por um oceano, um século e culturas tão distintas.
(Texto produzido por IA)
Há 126 anos, nascia Antoine de Saint-Exupéry.
No dia 29 de junho de 1900, nasceu Antoine de Saint-Exupéry, imortal escritor francês que conquistou leitores de todas as idades com sua obra mais famosa, O Pequeno Príncipe. Traduzido para mais de 382 idiomas e dialetos, o livro é considerado o segundo mais traduzido da história, ficando atrás apenas da Bíblia Sagrada.
Mais do que um clássico da literatura, O Pequeno Príncipe é um convite à reflexão. Na infância, encanta pela imaginação, pelos símbolos e pelas aventuras. Na vida adulta, surpreende pela profundidade de seus ensinamentos sobre amizade, amor, responsabilidade, simplicidade e o verdadeiro sentido da existência.
No Brasil, a obra foi publicada pela primeira vez em 1952, em tradução do poeta Dom Marcos Barbosa, que permaneceu como a principal tradução brasileira durante cerca de seis décadas.
Algumas de suas frases continuam emocionando gerações de leitores:
"Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso."
"É bem mais difícil julgar a si mesmo do que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio."
E você? Já leu ou releu este clássico?
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Darolt, convida você a conhecer ou revisitar esta obra inesquecível, que continua encantando leitores de todas as idades e nos lembra que "o essencial é invisível aos olhos".
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer da Rold, de Medianeira – Paraná, informa que no dia 26/06/2026 (sexta-feira), não haverá expediente para atendimento ao público.
A Biblioteca permanecerá aberta, porém não serão realizados empréstimos, devoluções de livros ou novos cadastros de usuários nessa data.
Contamos com a compreensão de todos os leitores e frequentadores.
Atenciosamente,
O Bibliotecário
Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer da Rold
Medianeira – Paraná
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold vem por meio
deste, reforçar a importância do compromisso assumido pelos leitores no ato do
empréstimo de obras do nosso acervo.
O empréstimo de livros é um serviço
fundamental que visa democratizar o acesso à leitura, ao conhecimento e à
cultura. No entanto, para que esse serviço continue atendendo a toda a
comunidade de forma eficiente, é indispensável que os prazos de devolução sejam
respeitados.
Foto 1: Acervo bibliográfico biblioteca cidadã.
Atualmente, o sistema de empréstimos
registra a existência de obras que não foram devolvidas dentro do período
estipulado, o que compromete a circulação do acervo e impede que outros
leitores tenham acesso a esses materiais.
Além disso, registramos a devolução de
alguns exemplares em condições inadequadas de uso e conservação, apresentando
danos que inviabilizam sua reutilização. Nesses casos, as obras tornam-se
impróprias para novos empréstimos, sendo necessário seu descarte. O que
representa prejuízo ao acervo da biblioteca, à coletividade e
ao patrimônio público.
É
importante ressaltar que o livro pertencente ao acervo da biblioteca pública
não constitui um objeto de entretenimento recreativo, mas sim um instrumento
fundamental para o fortalecimento e o enriquecimento cultural da criança, adolescente e do adulto.
![]() |
| Foto 2: livros danificados |
Ressaltamos que danos
decorrentes do uso inadequado, como rasgos, sujeiras, páginas soltas, molhado,
rabiscado, amassado, uso durante a refeição, transporte inadequado em mochilas escolares
e demais avarias comprometem a qualidade da obra e, em casos mais graves, podem
inviabilizar sua utilização por outros leitores.
Contamos com a colaboração de todos na preservação do acervo, promovendo o respeito ao patrimônio público e incentivando, desde a infância, o cuidado com os livros.
Ressaltamos que a não devolução dos materiais, bem como, a devolução em mau estado, pode acarretar em restrições no acesso a novos empréstimos, conforme as normas da biblioteca e lembramos que o livro é um patrimônio de todos os cidadãos.
Contamos com a compreensão e o
comprometimento dos leitores e frequentadores para mantermos nosso acervo
organizado, acessível e disponível à coletividade.
Em caso de dúvidas ou necessidade de
regularização, pedimos que entre em contato com a Biblioteca Cidadã Professora
Catarina Carrer Da Rold.
Fone: 45 32648607 - Watts: 4598136503
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold quer ampliar ainda mais seu acervo e ficar também, ainda mais atrativa para o público leitor, para isso, conta com obras vindas do público!
Livros têm um poder especial: eles aproximam pessoas,
despertam a imaginação e abrem portas para novos conhecimentos. Pensando nisso,
a Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold está recebendo doações
de livros literários para ampliar ainda mais o acesso à leitura em nossa
comunidade e em especial à seu público frequentador.
Se você tem em casa livros infantis, juvenis ou para o
público adulto que já foram lidos e estão em bom estado ou, que precisem de pequenos reparos, considere doá-los.
Cada obra doada pode encontrar um novo leitor, inspirar histórias e transformar
momentos de quem visita a biblioteca.
Ao doar um livro, você não está apenas entregando páginas
encadernadas, está compartilhando cultura, conhecimento e incentivando a
leitura e ajudando a fortalecer a nossa biblioteca.
Doe livros literários infantis, juvenis e adultos.
Contribua para que mais pessoas tenham acesso ao mundo da
leitura.
Traga sua doação até a Biblioteca Cidadã e faça parte dessa
corrente de incentivo à leitura.
Ler transforma. Doar livros também.
BIBLIOTECA CIDADÃO PROFESSORA CATARINA CARRER DA ROLD
RUA: ESPÍRITO SANTO, 2181 – NAZARÉ – CEP: 85724-206
FONE: 45 32648607 – E-MAIL: bibliotecacidada@medianeira.pr.gov.br
Watts 4598136503

Aos leitores, cuja data de
devolução é após o dia 19/12, terão a data de empréstimo renovada automaticamente para 02/02/2026, quando deverão fazer a devolução dos livros e,
caso seja do seu interesse tomar novos livros emprestados.
A Biblioteca Cidadã Professora
Catarina Carrer Da Rold, agradece aos leitores e frequentadores deste espaço
público de armazenamento e guarda do
conhecimento histórico, científico e cultural, construído a séculos pela
humanidade, pelos momentos de interatividades, socialização de conhecimentos e por
fazerem da biblioteca um espaço agradável e acolhedor neste ano de 2025.
Desejamos que o ano de 2025 se encerre maravilhosamente perfeito como transcorreu
e que o ano vindouro de 2026, inicie sob bênçãos Divina e que, assim também
transcorra, nas mais perfeitas graças celestiais. Então, boas festas e glorioso
vindouro 2026.
Biblioteca Cidadã.
Para as crianças ela
representa um verdadeiro mundo mágico, cheio de encantamentos, onde a
imaginação alada transforma-se em realidade. As palavras fluem aventureiramente
construindo conhecimentos, fundamentadas em contos, poesias, romances, lendas,
crônicas e de todas outras formas de literatura que a humanidade se utiliza
para registrar pensamentos, atos históricos de príncipes e
princesas, reis e rainhas, súditos e vassalos. É nesse ambiente, rico em
possibilidades que a socialização acontece de maneira natural no contar de
histórias e na escuta atenta, no diálogo imaginário com as personagens
ficcionais ou não. Com os olhos atentos para as obras literárias coloridas e a
imaginação longínqua para diferentes formas de ver o mundo e de nele viver.
Nesse processo de visitação,
de ambientação e de socialização com o cenário da Biblioteca Cidadã é
importante compreender que a escolha do livro não se deve ser apressada, pois,
a criança não se atina apenas na linguagem gráfica do livro. Respeitar o tempo
da criança na escolha do livro é um ato de respeito à liberdade, a calma e a escuta
interna da criança, mas, não deixando de observar a criança na sua escolha, e
caso de necessário, orientá-la. É olhando capa por capa, folheando páginas por
páginas, observando ilustrações, lendo pequenos trechos que a criança
estabelece vínculo afetivo com o livro. Essa aproximação imaginária da criança
com o livro é essencial para que a leitura seja significativa a ela.
Deveres da Biblioteca Cidadã
com os leitores:
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold é um espaço de acesso democrático à informação, a cultura e ao conhecimento, a todas e a todos, cidadãs e cidadãos, sem nenhuma forma distinção e discriminação. Em termos objetivos e claros a Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold prima:
· pela garantia de igualdade de acesso e
gratuitamente a livros, jornais, revistas, recursos digitais e outros materiais
que muitos não teriam condições de adquirir;
· pela inclusão social, cultural e digital,
sendo ponto de encontro para diferentes públicos, onde se pode aprender, trocar
experiências e conhecer novas culturas;
· pelo estimulo a educação ao longo da vida, apoiando
desde a alfabetização infantil até a educação de jovens, adultos e idosos,
funcionando como extensão da escola;
· pelo fortalecimento do exercício da cidadania
do individuo e da coletividade, disponibilizando informações sobre direitos,
deveres, serviços públicos e temas de interesse social, contribuindo na
formação cidadã e na criticidade participativa;
· pela oferta de espaço cultural seguro e
comunitário, sendo local de convivência amistosa e calorosa na realização de
eventos, clubes de leitura, oficinas, cursos e atividades culturais.
Deveres dos leitores e frequentadores com a Biblioteca Cidadã e aos livros e materiais:
Deveres dos leitores com a
Biblioteca Cidadã Professora Catariana Carrer Da Rold e para com os livros
existem para garantir que o espaço físico e o acervo sejam preservados e que
toda comunidade possa usufruir em iguais condições, assim cabe aos leitores e frequentadores:
1. Com relação à Biblioteca Cidadã:
· respeitar o regulamento interno, horários,
regras de empréstimo, devoluções, renovações dos prazos e uso do espaço físico;
· zelar pelo o espaço físico, pelo mobiliário e
equipamentos, mantendo a limpeza e a organização;
· manter um ambiente adequado a convivência
social, evitando barulhos excessivos e desnecessários, não comer ou beber em
áreas não permitidas;
· respeitar os funcionários e outros leitores e
frequentadores, agindo com cortesia, gentileza, educação e colaboração.
· manusear com cuidado, não dobrar páginas, não
rasgar, não escrever ou marcar, não
fazer uso nos momentos de refeição;
· proteger contra danos, evitando contato com
água, alimentos, sujeira ou exposição excessiva ao sol;
· cumprir os prazos de devoluções ou renovações,
para que outros leitores também tenham acesso aos livros e outros materiais;
· sempre comunicar danos, avarias ou perdas à
biblioteca e se responsabilizar com a reposição, caso solicitada pela Biblioteca
Cidadã, especialmente quando se tratar de exemplar único ou duo e pertencente a
trilogias, séries, coleções e outros formas de organização do acervo.
Desta forma, o leitor tem o
dever de cuidar dos livros, mantendo-os conservados, sem avarias e com
responsabilidade de quem sabe que, outro leitor, fará uso do mesmo livro, e
que, terá também o mesmo cuidado, pois, trata-se de um bem público, bem como, respeitar
o espaço da Biblioteca Cidadã, colaborando para que ela continue sendo um
ambiente de aprendizado e socialização.
Assim concluímos que a Biblioteca
Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold é um centro de conhecimento histórico
cultural e de encontro social, fundamental para o fortalecimento da democracia cidadã
e da comunidade envolvida com o conhecimento historicamente construído e em
construção pela humanidade.
A leitura feita em livros físicos ressurge como aliada do bem-estar mental e da saúde cognitiva do leitor.
Mesmo com a socialização dos livros no mundo digital, onde o acesso é cômodo, prático e ao alcance de um toque de dedo, no conforto do sofá, de frente ao televisor, no arejado ambiente da sala de estar, há quem não abra mão de frequentar a biblioteca cidadã. Um refúgio silencioso e acolhedor que, contribui para a socialização, não somente do conhecimento historicamente construído, mas nas relações interpessoais coletiva dos leitores, pois acaba sendo o ponto de encontro de velhas amizades e na construção novas.
Ativa o sistema sensorial tátil: A parte
sensorial está entre os benefícios de se ler livros físicos, isso porque,
sentir a textura das páginas durante a leitura pode ajudar na compreensão, uma
vez que ativa o sistema sensorial tátil. Dessa forma, cada leitor consegue
criar uma experiência mais envolvente e memorável. Esse contato físico com o
livro estimula áreas do cérebro ligadas à percepção e à memória, o que favorece
a memorização do conteúdo lido. Outro
fator importantíssimo, é que, o simples ato de folhear páginas e sentir o papel
ajuda a marcar progresso da leitura de forma concreta, o que contribui para a
organização mental das informações.Segundo o neuropsicólogo David Lewis,
da Universidade de Sussex, Reino Unido, apenas seis minutos de leitura já são
suficientes para diminuir o estresse em até 68%. Além disso, o estudo em que Lewis participou, revelou que o hábito da
leitura supera até atividades como ouvir música ou tomar chá quando o objetivo
é relaxar e acalmar a mente.
Aprimora o entendimento e a linguagem: Um estudo de 2019, conduzido por Falk Huettig e Martin Pickering, publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, a leitura vai além da compreensão de textos escritos: ela também aprimora a capacidade de prever e compreender a linguagem falada.
Deste modo, os autores explicam que
leitores habituais desenvolvem representações linguísticas a mais, fortalecendo
os mecanismos cerebrais responsáveis pela antecipação de palavras e estruturas
durante a escuta. Essa habilidade preditiva, segundo os pesquisadores, é
treinada pela leitura porque o ambiente textual oferece estabilidade e exige
processamento rápido, estimulando o cérebro a antecipar informações, fazendo
com que leitores experientes compreendam melhor a linguagem falada por
conseguirem prever com mais precisão o que será falado.
Fortalece a saúde mental: Uma técnica terapêutica que utiliza a leitura de livros e outros materiais de leitura
Segundo o neurologista Ivan Izquierdo,
a leitura é uma das atividades mais completas para o cérebro, pois envolve uma
varredura rápida e intensa de palavras e significados, ativando diversas
regiões cerebrais ao mesmo tempo. O foco estimulado, a compreensão e o prazer
aumentam, criando o ambiente ideal para a imaginação, transformando palavras em
personagens e fortalecendo a conexão emocional com a narrativa. Então, é nesse
envolvimento profundo que descobrimos o prazer de virar páginas.
Então, que tal experimentar o encanto
único de um bom livro físico a partir de agora? Venha conhecer a Biblioteca
Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, aqui pertinho de você e desfrute do
ambiente mágico e acolhedor.
Biblioteca Cidadã, um refúgio às
mentes brilhantes.
Decodificar letras, símbolos e significados, transformou o nosso cérebro e nossa sociedade e criou algo que não existia quando a nossa espécie surgiu. "Nós pensamos na linguagem como algo natural, e deduzimos que a língua escrita é algo natural também. Mas não é, nem um pouco", afirma Maryanne Wolf, cientista cognitiva, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autora de O Cérebro Leitor, da editora Contexto.
"E quanto mais você lê, mais esse sistema
molda o cérebro, de modo cumulativo. Dá a ele todo um conhecimento, toda uma
construção de processos que eu chamo de leitura profunda."
No
entanto, Wolf adverte que essa habilidade de leitura profunda está sob risco,
por causa dos hábitos
digitais modernos – como apenas "passar os olhos" em
textos online.
A
seguir, explicamos quatro formas como a leitura alterou a forma como pensamos e
como preservar essas conquistas.
Maryanne
Wolf explica que um cérebro neurotípico já nasce com os circuitos que permitem
que nossos olhos enxerguem e que as nossas cordas vocais produzam os sons da
fala. Mas ele não nasce com um circuito que permita ler.
Esse
processo provavelmente começou por volta do ano 3300 a.C., com o povo sumério,
na Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. Os sumérios criaram o sistema
cuneiforme, de cunhar símbolos em argila – embora haja debates entre alguns
cientistas que os precursores da escrita possam ter sido os egípcios, com seus
hieróglifos.
De qualquer
modo, decifrar símbolos passou a exigir mais do cérebro do que apenas enxergar.
Era preciso associar aquele símbolo a algum objeto, conceito ou emoção, e
também a algum som.
"Os
símbolos de escrita começaram a surgir mais ou menos 6 mil anos atrás. E
exigiram uma mudança no cérebro, em que um símbolo visual passou a representar
um conceito e ser expressado por linguagem", diz a autora.
Em seu
livro, Wolf explica que os cientistas acreditam que os nossos ancestrais
"reciclaram" para a leitura circuitos antes usados para o
reconhecimento de objetos.
Em
1989, um grupo de
pesquisadores acompanhou a atividade cerebral de pessoas
olhando para uma série de caracteres. Alguns deles com significado e outros
aleatórios, que não significavam nada em particular. Quando as pessoas olhavam
para os caracteres que tinham significado real, ou seja, eram uma palavra de um
idioma, ativavam-se áreas muito mais amplas da visão, e também células
específicas que a nossa espécie desenvolveu para processar o sentido de letras,
palavras e sons.
Uma única
palavra é capaz de despertar no cérebro todo um acervo de conceitos
relacionados.
Wolf cita um
experimento feito anos atrás pelo cientista cognitivo
David Swinney. Os participantes do estudo, quando liam a palavra
"bug", em inglês, pensavam não só no significado básico do termo -
inseto, como também em "bugs de informática" e até mesmo no carro
Fusca (que em inglês chama Beetle, nome de um inseto).
Outra observação de Wolf é de que diferentes idiomas podem impactar o cérebro de modo distinto.
Vejamos o
caso do chinês, um dos idiomas mais antigo do mundo, escrito no chamado sistema
logográfico. Cada ideia ou preposição, por exemplo, é representada por um
símbolo, em vez de por um conjunto de letras do alfabeto.
Pesquisas
indicam que o aprendizado de sistemas logográficos ativa áreas diferentes do
cérebro do que o aprendizado de português ou inglês, por exemplo. Em particular
as regiões envolvidas na memória visual e associação visual.
Uma das
formas como os cientistas descobriram isso foi a partir de um estudo pioneiro
sobre o bilinguismo na década de 1930. Nele, pesquisadores chineses estudaram o
caso de um homem que sofrera um derrame cerebral grave. No entanto, o derrame
impactou apenas a capacidade do paciente de ler chinês. O conhecimento do
idioma inglês continuou intacto.
"É um
exemplo de como os circuitos do cérebro refletem as demandas do idioma chinês,
que exige mais memória visual e mais processamento visual daqueles belos e
intrincados símbolos", afirma Maryanne Wolf.
Inclusive,
esse aprendizado tão sofisticado começa antes da alfabetização formal: já
quando os bebês ouvem história no colo dos adultos ou veem livros com figuras,
mesmo que ainda não consigam decifrar as letras.
Para Wolf,
isso já cria o terreno para a criança desenvolver habilidades emocionais
importantes, como a empatia e a capacidade de se colocar no lugar de um
personagem da história.
Em
contrapartida, a negligência à leitura tem um efeito contrário e bastante
prejudicial ao cérebro infantil.
Um famoso
estudo americano de 1995 concluiu que crianças de lares pobres, sem acesso à
leitura e a estímulos, terão escutado, até os 3 anos de idade, 30 milhões de palavras
a menos do que uma criança estimulada e de classe média.
Hoje já
existem outras pesquisas contestando algumas conclusões desse estudo, dizendo
que não é uma mera questão de nível socioeconômico e que, tais conclusões podem
estigmatizar crianças mais pobres.
Mas um ponto
chave continua a valer: com menos repertório, a tendência é que a criança já
comece a vida acadêmica em desvantagem.
Uma grande
preocupação da pesquisadora é com o que ela chama de "crise de
leitura".
O fato de
que ler não é uma capacidade inata dos humanos e sim, algo adquirido e
aperfeiçoado ao longo de milênios, significa, segundo Wolf, que essas
habilidades podem ser atrofiadas ou lentamente perdidas.
Pensa em
como você lê na tela do celular. Por acaso é uma passada de olhos,
fazendo scroll na tela e interrompendo a cada notificação do
WhatsApp? Isso é cada vez mais comum.
O problema,
segundo Wolf, é que se limitar a essa leitura superficial pode prejudicar nossa
capacidade de imersão num texto, de entender argumentos complexos, de fazer uma
análise crítica, de identificar notícias falsas ou, simplesmente, de mergulhar
em um livro bem escrito.
"Quando
você apenas passa o olho no texto, estudos mostram que você absorve apenas uma
amostra do que está escrito", diz ela. "E você não perde apenas dados
ou fatos absolutos, mas também todo o propósito do que o escritor está tentando
instigar, que é a beleza da linguagem."
Wolf cita
pesquisas acadêmicas indicando, por exemplo, que crianças que usam o celular
desde os primeiros anos de vida podem ter um desempenho pior na escola depois.
Além disso,
"num cérebro que é constantemente distraído e hiper-estimulado, os
neurotransmissores começam a desejar estímulos em um intervalo cada vez mais
curto. Daí é comum que essas crianças, quando estão off-line, se sintam muito
entediadas."
E tampouco
sobra tempo para a leitura de lazer, "o que significa que (muitas crianças
e adolescentes) não vão desenvolver essa capacidade de leitura profunda".
"O
antídoto para isso é o mais simples e bonito o possível: ter nossas crianças
imersas na leitura, e ter uma vida de leitor. Ajudá-los a entender que a
leitura pode ser um santuário onde elas podem pensar por conta própria",
conclui Wolf.
"Mas é
um antídoto duro, no sentido de que exige que pais e professores ajudem. Eles
têm de servir de modelo. Eles têm de ler para as crianças. E eles próprios
precisam desenvolver o gosto pela leitura."
Outro ponto de atenção são as muitas crianças com dificuldades de leitura, como a dislexia, uma condição que, segundo diferentes estimativas, atinge de 4% a 10% da população mundial.
A dislexia é caracterizada por entraves de aprendizado de leitura e ortografia. Crianças com dislexia costumam ter dificuldade também em distinguir sons e fonemas dentro das palavras, ou em recordar informações que veem e escutam.
Maryanne Wolf tem um filho disléxico e dirige um centro de estudos sobre a dislexia na Universidade da Califórnia. E lamenta que tantas crianças com essa característica sejam taxadas de incapazes ou preguiçosas, em vez de diagnosticadas e ajudadas.
"O enredo da história da dislexia poderia ser contado com pequenas variações em todo o mundo", escreve Wolf em O Cérebro Leitor.
"Uma criança inteligente, digamos um menino, chega à escola, cheio de vida e entusiasmo; se esforça para aprender a ler como todo mundo, mas, diferentemente de todos, parece que não conseguirá aprender. Seus pais lhe dizem para se esforçar mais um pouco; os professores lhe dizem que 'não está trabalhando com todo seu potencial'; alguns colegas o chamam de 'retardado', 'idiota'; recebe a mensagem avassaladora de que não terá muito valor; e assim, essa criança deixa a escola sem qualquer traço do entusiasmo inicial de quando entrou", afirma ela.
Em seu livro, a pesquisadora cita algumas hipóteses para explicar a dislexia, como uma possível falha nas estruturas de linguagem ou visão do cérebro. Também é possível que pessoas disléxicas usem circuitos cerebrais diferentes dos de um leitor típico.
"Já conhecemos muito, mas muito ainda precisa ser explicado na história e nos mistérios da dislexia", diz Wolf.
"Em muitos casos, o cérebro nunca atinge os estágios mais elevados de desenvolvimento da leitura, pois leva muito tempo para conectar as primeiras partes do processo. Muitas crianças com dislexia literalmente não têm tempo para processar a informação escrita."
Ao mesmo tempo, muitas pessoas com dislexia são consideradas excepcionalmente criativas e inteligentes.
Inclusive existe o debate de que grandes gênios da humanidade, como Leonardo da Vinci, Thomas Edison e Albert Einstein possam ter sido disléxicos.
Da Vinci, por exemplo, tinha dificuldade com a
leitura e às vezes escrevia da direita pra esquerda, e com erros ortográficos e
sintáticos.
"A maioria das pessoas com dislexia não possui talentos espetaculares como os de Edison ou Leonardo, mas parece haver um grande número de pessoas portadoras de dislexia extraordinariamente talentosas", escreve Wolf.
Além disso, hoje já existem muitas estratégias para ajudar crianças com essa e outras dificuldades de leitura.
"O principal é tentar ajudar as crianças a descobrirem a sensação de terem um santuário de leitura", afirma Wolf. "No começo, é claro, as histórias são muito simples e com o tempo vão ficando mais complexas. Mas sempre enfatizando habilidades como capacidade de dedução, empatia e pensar por conta própria."