18/12/2025

ENCERRAMENTO DO ANO DE 2025 E INÍCIO DAS ATIVIDADES NO ANO DE 2026.

 

A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, de Medianeira/PR, informa que as atividades do ano letivo 2025, se encerram dia 19/12, às 16h. Portanto, orientamos aos leitores que estão de posse de livros tomados por empréstimos, e que, não foram devolvidos na data prevista, estando com o prazo de empréstimo vencido, deverão então, ficar com a guarda dos livros até o dia 02/02/2026, data esta, que a Biblioteca Cidadã abrirá para atendimento aos leitores e frequentadores e então, a partir desta data, farão a devolução dos mesmos e, caso seja do interesse do leitor, tomar por empréstimos novos livros. 

Aos leitores, cuja data de devolução é após o dia 19/12, terão a data de empréstimo renovada automaticamente para 02/02/2026, quando deverão fazer a devolução dos livros e, caso seja do seu interesse tomar novos livros emprestados. 

A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, agradece aos leitores e frequentadores deste espaço público de armazenamento  e guarda do conhecimento histórico, científico e cultural, construído a séculos pela humanidade, pelos momentos de interatividades, socialização de conhecimentos e por fazerem da biblioteca um espaço agradável e acolhedor neste ano de 2025. Desejamos que o ano de 2025 se encerre maravilhosamente perfeito como transcorreu e que o ano vindouro de 2026, inicie sob bênçãos Divina e que, assim também transcorra, nas mais perfeitas graças celestiais. Então, boas festas e glorioso vindouro 2026.

Biblioteca Cidadã.


15/08/2025

Biblioteca Cidadã Professora Catariana Carrer Da Rold: um espaço de socialização e escolhas conscientes na literatura

 

BIBLIOTECA CIDADÃ
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold é muito mais do que um ambiente para empréstimos de livros. É espaço vivo de encontros, descobertas, aprendizados e de socialização cultural e intelectual.

Para as crianças ela representa um verdadeiro mundo mágico, cheio de encantamentos, onde a imaginação alada transforma-se em realidade. As palavras fluem aventureiramente construindo conhecimentos, fundamentadas em contos, poesias, romances, lendas, crônicas e de todas outras formas de literatura que a humanidade se utiliza para registrar pensamentos, atos históricos de príncipes e princesas, reis e rainhas, súditos e vassalos. É nesse ambiente, rico em possibilidades que a socialização acontece de maneira natural no contar de histórias e na escuta atenta, no diálogo imaginário com as personagens ficcionais ou não. Com os olhos atentos para as obras literárias coloridas e a imaginação longínqua para diferentes formas de ver o mundo e de nele viver.

BIBLIOTECA CIDADÃ
O papel da Biblioteca Cidadã no cotidiano da criança cria laços intrinsecamente ligados para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Ao circularem pelo espaço da Biblioteca Cidadã, elas não apenas entram em contato com os livros, mas também com outras crianças e outros leitores, essa interação favorece a construção de laços literários e sociais, incentivando a curiosidade literária e formando leitores críticos e sensíveis às praticas da linguagem escrita e falada.

Nesse processo de visitação, de ambientação e de socialização com o cenário da Biblioteca Cidadã é importante compreender que a escolha do livro não se deve ser apressada, pois, a criança não se atina apenas na linguagem gráfica do livro. Respeitar o tempo da criança na escolha do livro é um ato de respeito à liberdade, a calma e a escuta interna da criança, mas, não deixando de observar a criança na sua escolha, e caso de necessário, orientá-la. É olhando capa por capa, folheando páginas por páginas, observando ilustrações, lendo pequenos trechos que a criança estabelece vínculo afetivo com o livro. Essa aproximação imaginária da criança com o livro é essencial para que a leitura seja significativa a ela.

BIBLIOTECA CIDADÃ
A correria, o estresse, a agitação, a prioridade para determinadas tarefas, presentes muitas vezes em outras áreas da vida adulta, não deve entrar nesse espaço imaginário e de descobertas da criança. A leitura, já mais deve ser uma obrigação, nem uma corrida por resultados. A leitura, ao contrário, deve ser um momento amoroso e de expectativas lúdicas à exploração e à formação de identidade com a literatura lida. Todo livro escolhido com calma, com paciência, com afetividade  é uma porta que se abre para a imaginação, para a apropriação de  conhecimentos e para a criação de laços empáticos entre a obra, o criador  e o leitor.


BIBLIOTECA CIDADÃ
Portanto, a Biblioteca Cidadã é um espaço atemporal, de  encantamento, deslumbramento e amoroso,  onde a socialização e apropriação 
cultural definem o tempo a ser respeitado para a escolha do livro. É nesse ambiente acolhedor que a criança se identifica com a leitura e aprende que ler é uma das formas de se relacionar emocionalmente com os outros e com o mundo.


Deveres da Biblioteca Cidadã com os leitores:

BIBLIOTECA CIDADÃ
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold é um espaço de acesso democrático à informação, a cultura e ao conhecimento, a todas e a todos, cidadãs e cidadãos, sem nenhuma forma distinção e discriminação. Em termos objetivos e claros a Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold prima:

    ·  pela garantia de igualdade de acesso e gratuitamente a livros, jornais, revistas, recursos digitais e outros materiais que muitos não teriam condições de adquirir;

    ·  pela inclusão social, cultural e digital, sendo ponto de encontro para diferentes públicos, onde se pode aprender, trocar experiências e conhecer novas culturas;

       ·   pelo estimulo a educação ao longo da vida, apoiando desde a alfabetização infantil até a educação de jovens, adultos e idosos, funcionando como extensão da escola;

   · pelo fortalecimento do exercício da cidadania do individuo e da coletividade, disponibilizando informações sobre direitos, deveres, serviços públicos e temas de interesse social, contribuindo na formação cidadã e na criticidade participativa;

     ·  pela oferta de espaço cultural seguro e comunitário, sendo local de convivência amistosa e calorosa na realização de eventos, clubes de leitura, oficinas, cursos e atividades culturais.

BIBLIOTECA CIDADÃ
Deveres dos leitores e frequentadores com a Biblioteca Cidadã e aos livros e materiais:

Deveres dos leitores com a Biblioteca Cidadã Professora Catariana Carrer Da Rold e para com os livros existem para garantir que o espaço físico e o acervo sejam preservados e que toda comunidade possa usufruir em iguais condições, assim cabe aos leitores e frequentadores:

1. Com relação à Biblioteca Cidadã:

  · respeitar o regulamento interno, horários, regras de empréstimo, devoluções, renovações dos prazos e uso do espaço físico;

    ·  zelar pelo o espaço físico, pelo mobiliário e equipamentos, mantendo a limpeza e a organização;

    ·    manter um ambiente adequado a convivência social, evitando barulhos excessivos e desnecessários, não comer ou beber em áreas não permitidas;

   ·    respeitar os funcionários e outros leitores e frequentadores, agindo com cortesia, gentileza, educação e colaboração.


 2. Com relação aos livros e outros materiais emprestados:

BIBLIOTECA CIDADÃ

    ·    manusear com cuidado, não dobrar páginas, não rasgar, não escrever ou marcar, não  fazer uso nos momentos de refeição;

  ·    proteger contra danos, evitando contato com água, alimentos, sujeira ou exposição excessiva ao sol;

    ·    cumprir os prazos de devoluções ou renovações, para que outros leitores também tenham acesso aos livros e outros materiais;

    ·    sempre comunicar danos, avarias ou perdas à biblioteca e se responsabilizar com a reposição, caso solicitada pela Biblioteca Cidadã, especialmente quando se tratar de exemplar único ou duo e pertencente a trilogias, séries, coleções e outros formas de organização do acervo.

Desta forma, o leitor tem o dever de cuidar dos livros, mantendo-os conservados, sem avarias e com responsabilidade de quem sabe que, outro leitor, fará uso do mesmo livro, e que, terá também o mesmo cuidado, pois, trata-se de um bem público, bem como, respeitar o espaço da Biblioteca Cidadã, colaborando para que ela continue sendo um ambiente de aprendizado e socialização.

Assim concluímos que a Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold é um centro de conhecimento histórico cultural e de encontro social, fundamental para o fortalecimento da democracia cidadã e da comunidade envolvida com o conhecimento historicamente construído e em construção pela humanidade.

16/07/2025

Biblioteca Cidadã, um refúgio às mentes

BIBLIOTECA CIDADÃ
 A leitura feita em livros físicos ressurge como aliada do bem-estar mental e da saúde cognitiva do leitor.

BIBLIOTECA CIDADÃ
A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, espaço público de leitura e estudo, atrai leitores de diversas idades que se identificam com o ambiente social e acolhedor para apropriarem-se não só do conhecimento historicamente construído pela humanidade, mas da diversidade da literatura mundial. 

Dentre os leitores temos um número significativo de crianças que não se apropriaram da linguagem escrita, ainda, mas que, tem em seus  pais e irmãos mais velhos  narradores protagonistas que tornam as histórias contadas e encenadas a eles em verdadeiras sagas encantadoras intermináveis.

Mesmo com a socialização dos livros no mundo digital, onde o acesso é cômodo, prático e ao alcance de um toque de dedo, no conforto do sofá, de frente ao televisor, no arejado ambiente da sala de estar, há quem não abra mão de frequentar a biblioteca cidadã. Um refúgio silencioso e acolhedor que, contribui para a socialização, não somente do conhecimento historicamente construído, mas nas relações interpessoais coletiva dos leitores, pois acaba sendo o ponto de encontro de velhas amizades e na construção novas.


BIBLIOTECA CIDADÃBIBLIOTECA CIDADÃ

A Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, não é apenas um local onde se toma livros por empréstimos, com prazos para devolução, mas também um ambiente teatral, onde livros, estantes e arranjos transformam-se cenário para belíssimas contações de história. Exemplo desta atividade cultural foi à visita programada em três dias para todos os alunos do Centro de Educação Infantil Pedacinho de Vida. Primeiramente as crianças conheceram as estantes de livros e seus conteúdos bibliográficos e posteriormente, sentaram-se num espaço reservado na sala de leitura para ouvirem de seus professores as mais belas histórias da literatura infantil brasileira.



É importante destacar que a leitura em livros físicos, tradicionais, esses que a gente sente o cheirinho quando  novo ou, daqueles já todos desengonçados, de páginas amareladas,   orelhudas, textos com marcações em determinados conteúdos,  capas surradas de já terem passado por tantas mãos, esses,  trazem benefícios imensuráveis à qualidade de vida do leitor, conforme muitos estudiosos afirmam, dentre os quais relacionamos alguns:




BIBLIOTECA CIDADÃAtiva o sistema sensorial tátil: A parte sensorial está entre os benefícios de se ler livros físicos, isso porque, sentir a textura das páginas durante a leitura pode ajudar na compreensão, uma vez que ativa o sistema sensorial tátil. Dessa forma, cada leitor consegue criar uma experiência mais envolvente e memorável. Esse contato físico com o livro estimula áreas do cérebro ligadas à percepção e à memória, o que favorece a memorização do conteúdo lido. Outro fator importantíssimo, é que, o simples ato de folhear páginas e sentir o papel ajuda a marcar progresso da leitura de forma concreta, o que contribui para a organização mental das informações.

 

BIBLIOTECA CIDADÃ
Reduz o estresse: Ao contrário das telas dos smartphones e de outros dispositivos eletrônicos utilizados por muitos leitores para a leitura de conteúdos digitais que sobrecarregam o cérebro com estímulos visuais que aumentam os níveis de estresse e cortisol. Já, os livros físicos proporcionam um efeito calmante. A experiência tátil da leitura impressa, aliada à ausência de notificações ou luz azul, favorece a concentração e reduz a ansiedade.

Segundo o neuropsicólogo David Lewis, da Universidade de Sussex, Reino Unido, apenas seis minutos de leitura já são suficientes para diminuir o estresse em até 68%. Além disso, o estudo em que Lewis participou, revelou que o hábito da leitura supera até atividades como ouvir música ou tomar chá quando o objetivo é relaxar e acalmar a mente.

 


BIBLIOTECA CIDADÃ
Contribui para dormir melhor: Uma pesquisa publicada no periódico científico Trials, em 2021, demonstrou que ler antes de dormir pode melhorar significativamente a qualidade do sono. No estudo, 496 participantes foram orientados a ler um livro na cama antes de dormir,
enquanto outros 496 não realizaram essa atividade. Após uma semana, 42% dos leitores relataram melhora no sono, em comparação com apenas 28% do grupo que não leu. Sobretudo, os pesquisadores concluíram que a leitura noturna, especialmente de livros físicos e de ficção, ajuda a relaxar a mente, reduz o estresse e cria uma rotina mental que sinaliza ao corpo que é hora de descansar. Isso favorece um adormecer mais rápido e um sono mais profundo, sem os estímulos visuais e cognitivos provocados por dispositivos eletrônicos.

 


BIBLIOTECA CIDADÃ
Ajuda na prevenção de doenças degenerativas: A leitura regular de livros físicos também traz benefícios a longo prazo. De acordo com especialistas, ler estimula a atividade cerebral e fortalece as conexões neurais, o que contribui para prevenir ou retardar o aparecimento de doenças neurodegenerativas. Segundo o neurologista Paulo Caramelli, da Faculdade de Medicina da UFMG, o hábito de leitura aumenta a capacidade do cérebro de resistir aos danos causados por doenças como o Alzheimer, mantendo as funções mentais por mais tempo, além de estimula várias áreas do cérebro e fortalecer a neuroplasticidade.



BIBLIOTECA CIDADÃ
Estimula a empatia: A escolha por ler livros físicos, especialmente obras de ficção literária, pode aumentar a empatia. Isso acontece porque nos coloca no lugar de outras pessoas, permitindo vivenciar emoções, dilemas e perspectivas diferentes das nossas. Ao se envolver profundamente com personagens e narrativas, o leitor ativa áreas do cérebro ligadas à compreensão emocional e à teoria da mente, a habilidade de entender os sentimentos e intenções dos outros. “Viver outras vidas” por meio da leitura, desenvolvemos uma maior sensibilidade às experiências humanas, que, na essência é ter empatia!

 

Aprimora o entendimento e a linguagem: Um estudo de 2019, conduzido por Falk Huettig e Martin Pickering, publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, a leitura vai além da compreensão de textos escritos: ela também aprimora a capacidade de prever e compreender a linguagem falada.

BIBLIOTECA CIDADÃ

Deste modo, os autores explicam que leitores habituais desenvolvem representações linguísticas a mais, fortalecendo os mecanismos cerebrais responsáveis pela antecipação de palavras e estruturas durante a escuta. Essa habilidade preditiva, segundo os pesquisadores, é treinada pela leitura porque o ambiente textual oferece estabilidade e exige processamento rápido, estimulando o cérebro a antecipar informações, fazendo com que leitores experientes compreendam melhor a linguagem falada por conseguirem prever com mais precisão o que será falado.



Fortalece a saúde mental: Uma técnica terapêutica que utiliza a leitura de livros e outros materiais de leitura

BIBLIOTECA CIDADÃ
como ferramenta para auxiliar no tratamento de problemas mentais e emocionais, a chama biblioterapia. Existe livro sobre o assunto, como o livro “Quintais da Biblioterapia”, de Cristina Seixas, compila relatos e vivências de 22 profissionais que exploram diferentes formas de aplicar a leitura como recurso de cuidado emocional. Um estudo sobre o assunto publicado na Revista Digital Universitária da UNAM, reforça a eficácia da biblioterapia como forma a complementar o restabelecimento emocional de pessoas que enfrentam transtornos mentais. A prática da leitura, segundo os autores, estimula o autoconhecimento, favorecendo a demonstrações de sentimentos e contribuindo o alívio emocional e fortalecimento psicológico.


BIBLIOTECA CIDADÃ
Oferece maior experiência imersiva: Folhear páginas em vez de encarar uma tela brilhosa, cheia de notificações, a leitura no livro físico se torna naturalmente mais imersiva. O Ritmo é contínuo, sem interrupções, favorecendo maior concentração, o que é excelente para o cérebro.

Segundo o neurologista Ivan Izquierdo, a leitura é uma das atividades mais completas para o cérebro, pois envolve uma varredura rápida e intensa de palavras e significados, ativando diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo. O foco estimulado, a compreensão e o prazer aumentam, criando o ambiente ideal para a imaginação, transformando palavras em personagens e fortalecendo a conexão emocional com a narrativa. Então, é nesse envolvimento profundo que descobrimos o prazer de virar páginas.

 

Então, que tal experimentar o encanto único de um bom livro físico a partir de agora? Venha conhecer a Biblioteca Cidadã Professora Catarina Carrer Da Rold, aqui pertinho de você e desfrute do ambiente mágico e acolhedor.

 

Biblioteca Cidadã, um refúgio às mentes brilhantes.


03/07/2025

FREQUENTAR REGULARMENTE A BIBLIOTECA

Como ler transforma o cérebro:

Paula Adamo Idoeta
Matéria extraída do site: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c89el24p358o, em 1º julho 2025.

Enquanto você lê esta reportagem, ativa circuitos cerebrais que nós, seres humanos, levamos milhares de anos para desenvolver: os da leitura.

Decodificar letras, símbolos e significados, transformou o nosso cérebro e nossa sociedade e criou algo que não existia quando a nossa espécie surgiu. "Nós pensamos na linguagem como algo natural, e deduzimos que a língua escrita é algo natural também. Mas não é, nem um pouco", afirma Maryanne Wolf, cientista cognitiva, professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autora de O Cérebro Leitor, da editora Contexto.

 

"E quanto mais você lê, mais esse sistema molda o cérebro, de modo cumulativo. Dá a ele todo um conhecimento, toda uma construção de processos que eu chamo de leitura profunda."

No entanto, Wolf adverte que essa habilidade de leitura profunda está sob risco, por causa dos hábitos digitais modernos – como apenas "passar os olhos" em textos online.

A seguir, explicamos quatro formas como a leitura alterou a forma como pensamos e como preservar essas conquistas.


1 - A 'invenção' da leitura

Maryanne Wolf explica que um cérebro neurotípico já nasce com os circuitos que permitem que nossos olhos enxerguem e que as nossas cordas vocais produzam os sons da fala. Mas ele não nasce com um circuito que permita ler.

 

Esse processo provavelmente começou por volta do ano 3300 a.C., com o povo sumério, na Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. Os sumérios criaram o sistema cuneiforme, de cunhar símbolos em argila – embora haja debates entre alguns cientistas que os precursores da escrita possam ter sido os egípcios, com seus hieróglifos.

 

De qualquer modo, decifrar símbolos passou a exigir mais do cérebro do que apenas enxergar. Era preciso associar aquele símbolo a algum objeto, conceito ou emoção, e também a algum som.

 

"Os símbolos de escrita começaram a surgir mais ou menos 6 mil anos atrás. E exigiram uma mudança no cérebro, em que um símbolo visual passou a representar um conceito e ser expressado por linguagem", diz a autora.

 

Em seu livro, Wolf explica que os cientistas acreditam que os nossos ancestrais "reciclaram" para a leitura circuitos antes usados para o reconhecimento de objetos.

 

Em 1989, um grupo de pesquisadores acompanhou a atividade cerebral de pessoas olhando para uma série de caracteres. Alguns deles com significado e outros aleatórios, que não significavam nada em particular. Quando as pessoas olhavam para os caracteres que tinham significado real, ou seja, eram uma palavra de um idioma, ativavam-se áreas muito mais amplas da visão, e também células específicas que a nossa espécie desenvolveu para processar o sentido de letras, palavras e sons.

 

Uma única palavra é capaz de despertar no cérebro todo um acervo de conceitos relacionados.

Wolf cita um experimento feito anos atrás pelo cientista cognitivo David Swinney. Os participantes do estudo, quando liam a palavra "bug", em inglês, pensavam não só no significado básico do termo - inseto, como também em "bugs de informática" e até mesmo no carro Fusca (que em inglês chama Beetle, nome de um inseto).


2 - O idioma que aprendemos impacta áreas diferentes do cérebro

Outra observação de Wolf é de que diferentes idiomas podem impactar o cérebro de modo distinto.

 

Vejamos o caso do chinês, um dos idiomas mais antigo do mundo, escrito no chamado sistema logográfico. Cada ideia ou preposição, por exemplo, é representada por um símbolo, em vez de por um conjunto de letras do alfabeto.

 

Pesquisas indicam que o aprendizado de sistemas logográficos ativa áreas diferentes do cérebro do que o aprendizado de português ou inglês, por exemplo. Em particular as regiões envolvidas na memória visual e associação visual.

 

Uma das formas como os cientistas descobriram isso foi a partir de um estudo pioneiro sobre o bilinguismo na década de 1930. Nele, pesquisadores chineses estudaram o caso de um homem que sofrera um derrame cerebral grave. No entanto, o derrame impactou apenas a capacidade do paciente de ler chinês. O conhecimento do idioma inglês continuou intacto.

"É um exemplo de como os circuitos do cérebro refletem as demandas do idioma chinês, que exige mais memória visual e mais processamento visual daqueles belos e intrincados símbolos", afirma Maryanne Wolf.


3 - Repertório desde a primeira infância

 

Inclusive, esse aprendizado tão sofisticado começa antes da alfabetização formal: já quando os bebês ouvem história no colo dos adultos ou veem livros com figuras, mesmo que ainda não consigam decifrar as letras.

 

Para Wolf, isso já cria o terreno para a criança desenvolver habilidades emocionais importantes, como a empatia e a capacidade de se colocar no lugar de um personagem da história.

 

Em contrapartida, a negligência à leitura tem um efeito contrário e bastante prejudicial  ao cérebro infantil.

 

Um famoso estudo americano de 1995 concluiu que crianças de lares pobres, sem acesso à leitura e a estímulos, terão escutado, até os 3 anos de idade, 30 milhões de palavras a menos do que uma criança estimulada e de classe média.

 

Hoje já existem outras pesquisas contestando algumas conclusões desse estudo, dizendo que não é uma mera questão de nível socioeconômico e que, tais conclusões podem estigmatizar crianças mais pobres.

 

Mas um ponto chave continua a valer: com menos repertório, a tendência é que a criança já comece a vida acadêmica em desvantagem.


4 - Capacidade de leitura profunda se perdendo

 

Uma grande preocupação da pesquisadora é com o que ela chama de "crise de leitura".

 

O fato de que ler não é uma capacidade inata dos humanos e sim, algo adquirido e aperfeiçoado ao longo de milênios, significa, segundo Wolf, que essas habilidades podem ser atrofiadas ou lentamente perdidas.

 

Pensa em como você lê na tela do celular. Por acaso é uma passada de olhos, fazendo scroll na tela e interrompendo a cada notificação do WhatsApp? Isso é cada vez mais comum.

 

O problema, segundo Wolf, é que se limitar a essa leitura superficial pode prejudicar nossa capacidade de imersão num texto, de entender argumentos complexos, de fazer uma análise crítica, de identificar notícias falsas ou, simplesmente, de mergulhar em um livro bem escrito.

 

"Quando você apenas passa o olho no texto, estudos mostram que você absorve apenas uma amostra do que está escrito", diz ela. "E você não perde apenas dados ou fatos absolutos, mas também todo o propósito do que o escritor está tentando instigar, que é a beleza da linguagem."

 

Wolf cita pesquisas acadêmicas indicando, por exemplo, que crianças que usam o celular desde os primeiros anos de vida podem ter um desempenho pior na escola depois.

 

Além disso, "num cérebro que é constantemente distraído e hiper-estimulado, os neurotransmissores começam a desejar estímulos em um intervalo cada vez mais curto. Daí é comum que essas crianças, quando estão off-line, se sintam muito entediadas."

 

E tampouco sobra tempo para a leitura de lazer, "o que significa que (muitas crianças e adolescentes) não vão desenvolver essa capacidade de leitura profunda".

 

"O antídoto para isso é o mais simples e bonito o possível: ter nossas crianças imersas na leitura, e ter uma vida de leitor. Ajudá-los a entender que a leitura pode ser um santuário onde elas podem pensar por conta própria", conclui Wolf.

 

"Mas é um antídoto duro, no sentido de que exige que pais e professores ajudem. Eles têm de servir de modelo. Eles têm de ler para as crianças. E eles próprios precisam desenvolver o gosto pela leitura."


Dislexia e dificuldades de leitura

Outro ponto de atenção são as muitas crianças com dificuldades de leitura, como a dislexia, uma condição que, segundo diferentes estimativas, atinge de 4% a 10% da população mundial.

A dislexia é caracterizada por entraves de aprendizado de leitura e ortografia. Crianças com dislexia costumam ter dificuldade também em distinguir sons e fonemas dentro das palavras, ou em recordar informações que veem e escutam.

Maryanne Wolf tem um filho disléxico e dirige um centro de estudos sobre a dislexia na Universidade da Califórnia. E lamenta que tantas crianças com essa característica sejam taxadas de incapazes ou preguiçosas, em vez de diagnosticadas e ajudadas.

"O enredo da história da dislexia poderia ser contado com pequenas variações em todo o mundo", escreve Wolf em O Cérebro Leitor.

"Uma criança inteligente, digamos um menino, chega à escola, cheio de vida e entusiasmo; se esforça para aprender a ler como todo mundo, mas, diferentemente de todos, parece que não conseguirá aprender. Seus pais lhe dizem para se esforçar mais um pouco; os professores lhe dizem que 'não está trabalhando com todo seu potencial'; alguns colegas o chamam de 'retardado', 'idiota'; recebe a mensagem avassaladora de que não terá muito valor; e assim, essa criança deixa a escola sem qualquer traço do entusiasmo inicial de quando entrou", afirma ela.

Em seu livro, a pesquisadora cita algumas hipóteses para explicar a dislexia, como uma possível falha nas estruturas de linguagem ou visão do cérebro. Também é possível que pessoas disléxicas usem circuitos cerebrais diferentes dos de um leitor típico.

"Já conhecemos muito, mas muito ainda precisa ser explicado na história e nos mistérios da dislexia", diz Wolf.

"Em muitos casos, o cérebro nunca atinge os estágios mais elevados de desenvolvimento da leitura, pois leva muito tempo para conectar as primeiras partes do processo. Muitas crianças com dislexia literalmente não têm tempo para processar a informação escrita."

Ao mesmo tempo, muitas pessoas com dislexia são consideradas excepcionalmente criativas e inteligentes.

Inclusive existe o debate de que grandes gênios da humanidade, como Leonardo da Vinci, Thomas Edison e Albert Einstein possam ter sido disléxicos.

 

Da Vinci, por exemplo, tinha dificuldade com a leitura e às vezes escrevia da direita pra esquerda, e com erros ortográficos e sintáticos.

"A maioria das pessoas com dislexia não possui talentos espetaculares como os de Edison ou Leonardo, mas parece haver um grande número de pessoas portadoras de dislexia extraordinariamente talentosas", escreve Wolf.

Além disso, hoje já existem muitas estratégias para ajudar crianças com essa e outras dificuldades de leitura.

"O principal é tentar ajudar as crianças a descobrirem a sensação de terem um santuário de leitura", afirma Wolf. "No começo, é claro, as histórias são muito simples e com o tempo vão ficando mais complexas. Mas sempre enfatizando habilidades como capacidade de dedução, empatia e pensar por conta própria."

25/06/2025

A LEITURA É CAPAS DE MUDAR UMA VIDA? Sim, ou não?

Este texto foi escrito por Isabela Da Silva Couto, 15 anos, de Ananindeua (PA).
Isabela Da Silva Couto
Coluna Vozes da Educação
19 de junho de 2025

Sim, a leitura não é só capaz de mudar uma vida, mas também de transformar mentes apagadas em personalidades brilhantes?



Por um longo período minha concepção foi formada por visões estereotipadas sobre a leitura, que seria algo chato e irritante. Mas, minha perspectiva foi transformada de uma forma que eu nunca imaginei ser possível.

Em minha infância e pré-adolescência eu possuía um certo preconceito a respeito da leitura. Para mim, devia ser algo completamente enfadonho, pois, eu, não conseguia entender como existiam pessoas que amavam aquele hábito que me parecia tão difícil. Porém, quando eu tinha doze anos, tudo mudou.


Preconceito

Não consigo reportar de onde surgiu esta minha visão sobre a leitura, pois sempre fui estimulada por meus familiares a ler, desde a minha alfabetização.


Basicamente, todas as escolas que estudei eram passados livros clássicos para os estudantes, como "O Alienista", de Machado de AssisNão me entenda mal, eu sou fascinada por todas as obras do escritor, mas as mesmas podem ser um tanto complicadas quando lidas por uma criança de onze anos, e foi isso que eu senti quando tentei ler a obra. Foi como se as palavras estivessem se embaralhando em minha mente, aquilo parecia extremamente confuso e irritante para mim. Foram estas opiniões que adentraram na minha mente durante muito tempo, e provavelmente, estes fatos contribuíram para a minha visão distorcida do hábito de ler.


O dia em que tudo mudou

Aos doze anos por influência de minha mãe decidi finalmente ler meu primeiro livro, por vontade própria. O escolhido foi "O Pequeno Príncipe", um clássico atemporal. Confesso que no começo eu estava bem relutante, achando que aquele seria mais um livro complicado, o qual eu não entenderia nada. Mas, ao longo da leitura, percebi que estava completamente errada e não me foi enfadonho, pelo contrário, fiquei completamente presa na leitura. Senti como se meu mundo estivesse se expandindo. Eu senti felicidade, me encantei pelos personagens que eu havia acabado de conhecer. Senti ânsia por mais.

Como eu podia ter esperado tanto tempo para experimentar aquilo? Naquele momento vi como os meus preconceitos eram inadequados e falsos. Eu vi como a leitura expandiu minha mente, acalentando a minha alma ansiosa de criança. E, por mais que eu não tenha entendido completamente naquele momento todas as nuances que "O Pequeno Príncipe" aborda, eu me senti realizada, pois, eu havia sido cativada pela leitura.

Transformações

Desde aquele dia, nunca mais consegui parar de ler, me tornei uma leitora voraz. Posso facilmente dizer que esta prática mudou intrinsecamente a minha vida. Me tornei uma pessoa com uma visão de mundo diferente, com um maior pensamento crítico. Com capacidade de expressar minhas emoções e os meus pensamentos. Este costume me fez uma aluna melhor, mais capacitada, mais interessada. Me fez compreender melhor todos os tipos de textos que me eram apresentados. A leitura me destacou.

Digo que existe uma Isabela antes e uma Isabela depois dos livros. Eu me fiz outra, em todos os sentidos da minha vida, tanto pessoal quanto estudantil. E redigindo este texto, sinto meu coração se alegrar, sinto vontade de chorar de felicidade, sinto gratidão pelos livros existem.

Me sinto agraciada por ter a oportunidade de viver várias vidas, de estar em vários lugares, de conhecer inúmeras pessoas, de sentir inúmeras emoções, apenas sentada, lendo.

Assim, de modo geral vejo que os meus preconceitos me impediram de viver coisas maravilhosas, sensações inéditas, aprendizados, reflexões e sonhos por muito tempo. Mas, felizmente as coisas mudaram e de uma forma imensamente linda.

Dessa forma, eu espero que todos possam viver pelo menos um pouco a beleza que é a leitura. Este ato transformador de vidas. Que todos tenham a possibilidade de sentir os sentimentos que eu mesma senti, que tenham seus ideais transformados. Como disse o filósofo Aristóteles: "a leitura é o caminho mais curto para o conhecimento”, e na minha opinião, o mais divertido.

Matéria extraída do site:
https://www.dw.com/pt-br/coluna-a-leitura-%C3%A9-capaz-de-mudar-uma-vida/a-72968981, com pequenas adaptações.

13/06/2025

Nos contos de fada e nos encantos de uma visita surpresa...

BIBLIOTECA CIDADÃ
Assim diz o nome: "PEDACINHO DE VIDA". Eu iria, ainda mais além, pedacinho de um pedacinho de vida, pois é, uma vida que está em pleno comecinho.  Agora imagina esta pequenina vida no seu mais tenro início aqui, na Biblioteca Cidadã, como gigantes exploradores e desbravadores desamedrontados em busca da sabedoria oculta nas entrelinhas da grafia daqueles que se imortalizaram ao deixarem seus vastos versos nos poemas e poesias, nos contos e nas lendas, na vasta literatura do amor e da alegria, dos sonhos imaginários dos homens e mulheres, cada um, em busca de aventuras por além das florestas e ao alcance da Lua.  


Centro de Educação Infantil Pedacinho de Vida, a Biblioteca Cidadã é imensamente grata por está oportunidade acalorada de nos presentear com a visita surpresa dos seus encantadores e pequeninos alunos. Reforçamos em nome da Secretaria Municipal de Educação e Cultura que este espaço público de guarda do conhecimento historicamente construído por homens e mulheres está a sua disposição e de outros que, aqui queiram desfrutar da calmaria ou, das perturbações das brumas da sabedoria. 


BIBLIOTECA CIDADÃ

Deixamos também um agradecimento para o diretor Fernando Sampaio e para as professoras do Centro de Educação Infantil Pedacinho de Vida, especialmente a professora que encenou a contação da história "Branca de Neve e os Sete Anões". Sua desenvoltura foi digna de colocar-nos ludicamente no enredo da história, juntinhos a Branca de Neve e os Sete Anões  para ajudá-los a se livrarem da bruxa malvada. 


Biblioteca Cidadã.